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Internet e redes sociais aumenta o impacto de notícias falsas

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De uma hora para outra, o trabalhador Márcio* (nome fictício), 34 anos, viu seu mundo desabar, ao ter sua foto associada ao retrato falado de um estuprador em Salvador. A notícia era falsa, foi desmentida em poucos dias, mas o remédio não surtiu o mesmo efeito que a dimensão do estrago.

Márcio foi vítima de uma fake news – termo em inglês cunhado durante as eleições estadunidenses para designar as notícias falsas –, fenômeno social repetido por diversas vezes ao longo da história, mas que passou a se disseminar com mais rapidez por causa da popularização da internet.

A montagem com a foto retirada da rede social de Márcio se espalhou com a mesma velocidade a qual a internet chega aos dispositivos eletrônicos, boa parte deles móveis. A partir de então, Márcio foi ameaçado de morte, ficou afastado do trabalho por seis meses e passou a tomar antidepressivos.

Passados três anos, Márcio ainda chora quando relembra os maus bocados pelos quais passou. “É uma ofensa sem tamanho para mim, pois minha família me criou para ser um homem direito”, emociona-se a vítima.

Usuário esporádico de redes sociais, ele só soube da montagem quando chegou em casa, depois que todos no trabalho dele já sabiam, mas apenas um colega o alertou. “Eu poderia ter morrido na rua, já que faço serviço externo, pois as pessoas estavam me olhando, sem eu nem saber porquê”, conta.

Para se livrar da saia justa, Márcio foi apoiado pela esposa para ir à polícia, mas o caso até hoje não deu resultado. “Não sei quem fez a montagem. Quando meu filho viu a foto na televisão, perguntou: por que fizeram isso, meu pai? Não sei. Maldade. Ainda há colegas que fazem chacota”, lamenta.

Injúria

Outro caso emblemático de fake news na Bahia foi a injúria cometida pela Igreja Universal contra a ialorixá Gildásia dos Santos e Santos, a mãe Gilda, cuja foto foi estampada no jornal da instituição, com uma tarja preta nos olhos, sob o título “Charlatães lesam a vida e o bolso dos clientes”.

À época, em 1999, a distribuição da tiragem de mais de 1,3 milhão de exemplares levou a ialorixá a desenvolver um quadro depressivo, que culminou na morte dela em 21 de janeiro de 2000, data que foi instituída como o Dia Nacional de Combate à Intolerância Religiosa.

Como resultado, após anos de luta judicial, o Superior Tribunal de Justiça tomou uma decisão inédita de condenar a igreja a pagar uma indenização de cerca de R$ 145 mil, mas, segundo a filha biológica da vítima, Jaciara dos Santos, o valor foi corrigido para pouco mais de R$ 300 mil.

“Minha mãe não suportou a humilhação pública por ter virado motivo de chacota e piadas. Sem falar que a comunidade do axé, ao ver a foto, pensou que ela havia se convertido”, lembrou. “O dano à imagem dela foi fruto de puro racismo e intolerância religiosa”, afirma.

Mãe Jaciara pondera que a indenização não substitui a perda imensurável da vida da genitora, mas acredita ser um marco na história brasileira. “Até então, nunca havia acontecido uma punição tão severa por racismo, que fica de exemplo para que as pessoas aprendam a conviver com as diferenças”, diz.

Idoneidade

Boatos sobre vagas de empregos, possíveis efeitos colaterais de vacinas, arrastões, toques de recolher, extinção de programas sociais, pagamento de benefícios, mortes de celebridades – como o dançarino Jacaré – espocam a todo tempo no aplicativo de mensagem instantâneas.

Mas, nas ruas de Salvador, há pessoas como o taxista Lucas Lima, 27 anos, que garantem checar a idoneidade da informação recebida antes de repassar adiante. “Normalmente, não acredito nas notícias que chegam pelo aplicativo, justamente por causa das fake news”, assegura.

A comerciante Telma Andrade, 47 anos, afirma buscar outras fontes de informação antes de apertar o botão compartilhar. “Eu me informo por diversos meios de comunicação, como rádio e televisão. Se foi publicado nos principais veículos, eu compartilho”, diz.

 

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