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PRECISAMOS CONVERSAR

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O diálogo é uma exigência existencial. Comunicar é uma condição da vida humana e das relações sociais, o que implica uma relação intencional direcionada para alguém ou para outras pessoas; faz parte da rotina do ser humano e é através dela que as pessoas se conhecem, não é simplesmente o outro que passa a ser conhecido quando as pessoas se comunicam, mas há também o autoconhecimento. Quando o casal consegue administrar bem suas questões e conversa de maneira mais aberta, pormenores como o volume da televisão ou o esquecimento da luz do quarto acessa perdem a importância. Quando a comunicação entre as pessoas é pobre, os vínculos facilmente se enfraquecem. A maior causa de rupturas nos casais é a falta de comunicação. Na maioria dos casos o que vemos é apenas um duelo de perspectivas totalmente diferentes. Cada um refugia-se em sua visão, e o isolamento e a distância entre os dois só aumenta.

Vale ressaltar que com o aumento da expectativa de vida, a fase do companheirismo pode se prolongar por muito tempo. No Brasil, segundo o IBGE, um a cada quatro casamentos termina em separação. As queixas são diversas, mas é muito comum os dois dizerem que acabou qualquer possibilidade de dialogo saudável entre eles.

Segundo Zygmunt Bauman, atualmente as relações terminam tão rápido quanto começam, as pessoas pensam terminar com um problema cortando seus vínculos, mas o que fazem mesmo é criar problemas em cima de problemas. A definição romântica do amor está fora de moda. O amor verdadeiro em sua definição romântica foi rebaixado a diversos conjuntos de experiências vividas pelas pessoas, nas quais referem-se utilizando a palavra amor. Hoje é muito fácil de se dizer “eu te amo”, pois não existe mais a responsabilidade de estar mesmo amando.

Os seres humanos têm medo de sofrer e pensam que não mantendo uma relação estável e duradoura, irão parar de sofrer ou diminuir a dor, trocando de parceiros, amigos, namorados, noivos, amantes, e o amor líquido representa justamente esta fragilidade dos laços humanos, a flexibilidade com que são substituídos.

É esse o dilema da sociedade liquida, sonha com o amor duradouro, mas não quer o esforço e as renuncias que este amor traz.  Cada casal tem o seu jeito de viver, de dialogar, é um aprendizado contínuo e necessário para toda a vida. O diálogo autêntico é favorecido por atitudes de amor. A comunicação é identificada como bem sucedida, quando há: calma nas divergências, escuta empática, respeito mútuo, foco na solução, e concordância freqüente. Por isso, quem ama precisa estar atento ao outro.

Se não cuidada, a falta de comunicação pode gerar frustração, raiva, ressentimento e culpa. Em qualquer situação o dialogo é importante.

Anderson Rios Fontes – Professor, mestre em educação e analista cultural (UFBA).

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