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A Amiga que Fiz no Metrô

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Era 28 de Outubro de 2018, o Brasil amanhecia no segundo turno para as eleições de presidente e governadores. O dia amanheceu um pouco chuvoso, triste e melancólico. Lembro que a todo instante me hesitava em ir à minha seção localizada no bairro do cabula. Sair da Paralela para ir até o cabula é uma viagem que se não fosse o metrô, sairia bastante cara para poder exercer uma suposta “democracia”. Almocei com minha avó e alguns familiares que ao mesmo tempo debatíamos e ainda tínhamos esperança que o fascismo não venceria.

Sair de casa não tão bem animado, avistava nas ruas alguns pontos em comum do verde e amarelo, das camisas da nossa seleção. Pensei até na copa do mundo que já tínhamos perdido, pensei que fosse ainda os vestígios daqueles que bateram panela e foram as ruas para dar o golpe de 2016, mas realmente a minha intuição nunca falha: eram sinais que chegavam indiretamente e que apontavam a um precipício muito próximo.

Não, eu não sou pessimista, eu não tinha uma visão de futuro errônea, mas tudo levava à esse entendimento. Foi no metrô, naquela tarde não tão bonita do dia 28 de outubro de 2018 que conheci Gisa, uma senhora que me encarou e veio até a minha pessoa comentar sobre a situação eleitoral e como estava passando por essa via-sacra. Comecei a conversar sobre meus medos, minha visão de política, aonde trabalhava, como era a minha vida e como poderíamos fazer para melhorar a situação não votando ao retrocesso. Gisa era uma senhora que passava também preocupação, que tem filhos no exterior, mas que por amor ao seu amado e pelo seu país, preferiu ficar.

Chegou então o meu ponto em que desceria e na oportunidade, trocamos o número de celular. Eu via naquela mulher um único sinal – naquele dia cinzento – de esperança. O dia terminou e com ele veio a apuração, perdemos. O que menos esperava ou já esperava, aconteceu. Fui dormir com uma angústia e com o sentimento de preocupação maior ainda. Gisa por sua vez, me mandou um “oi” no whatsapp, mas sumiu. Eu por minha vez, também a esqueci.

Essa semana estando na minha mesa de trabalho, meu telefone toca e aquela voz tão alegre pergunta: “Mateus? É você? Não sei se você se lembra… sou a Gisa! Aquela mulher que te conheceu no metrô. Fui assaltada e perdi todos os meus contatos, mas lembrei que você me disse onde trabalhava e há algum tempo estou ligando para poder te reencontrar.” Eu particularmente fiquei surpreso: “Gisa, minha querida, quanto tempo! Sim, eu me lembro.” Trocamos novamente contato e ela me trouxe uma pitada de esperança nesse tempo tão sombrio que vivemos. Gisa mostra a capacidade do brasileiro em nunca desistir, lutar, procurar até encontrar, manter um contato. Mostra que até mesmo em tempos cinzentos, a capacidade de acreditar que o amor vence qualquer ódio e que a resistência sempre vencerá, me faz a cada dia caminhar certo de que o Brasil sim, ainda tem jeito.

Por Mateus Mozart Dórea – Filósofo pelo Destino – Graduando em Direito pela Universidade Católica do Salvador.

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