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A Baía de Todos os Santos e seu Axé

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A Bahia acordou na semana passada com a notícia que um suposto navio chegaria em suas terras trazendo consigo uma biblioteca flutuante. Tal navio é operado por uma organização de caridade cristã alemã que partem por todo o mundo levando livros também de evangelização. O que a Bahia não esperava era a declaração da empresa que administra tal navio veiculada no Facebook. Tal publicação em inglês dizia que a embarcação estaria se dirigindo a “uma cidade conhecida pela crença do povo em espírito e demônios.”

Vivemos, amigos, em uma terra que foi descoberta já com a prática da intolerância. Intolerância essa que atingiu os indígenas e os escravos que vieram erguer com bravura, força e suor o que temos hoje. A nossa cidade é a mais linda do Brasil! Não só em belezas naturais. É preciso deixar claro para todos que somos os mais bonitos pela cultura e pela multiforma de sermos. Aqui se encontra povos de diversas raças e o povo negro fala mais alto. Fala mais alto pois foram os próprios que fizeram a nossa Salvador ser o que é hoje. A cultura do povo africano bate forte em nossos corações e por quê não em cada esquina dessa cidade? Basta sairmos de nossas casas e nos depararmos com as bancas de acarajé, acarajé esse que é do candomblé, que é patrimônio cultural do Brasil.

Falar em Salvador é falar da tolerância. É falar do respeito que devemos ter uns pelos outros. Aqui não tem lugar para o preconceito e o discurso de ódio pregado por uma intolerância doentia não tem nem vez e nem voz. Nessa terra da Baía de todos os Santos, a nossa fé faz com que várias “pestes” se dissipem. Não, não temos crenças em demônios. Temos crenças em Deus, nos orixás, nos espíritos de luz e em todos aqueles que são sinônimos do bem e da força transcendental. É aqui que o axé (força sagrada) faz-se morada. É algo inerente de cada baiano. É a nossa força que faz dia a dia prosseguirmos combatendo toda forma de discriminação.

Em suma, fazendo uma análise do navio citado acima com o momento de agressão literal ao nosso litoral pelo óleo misterioso, só temos a afirmar que somos um povo de axé. A nossa força é transcendental. Ultrapassa esse discurso de intolerância e mostra a todos que o único seio marítimo não atingido pelo danoso óleo foi a Baía de Todos os Santos – do comércio às belíssimas praias da nossa cidade baixa e da região suburbana. O navio está lá atracado em nosso mar, em nossas águas, protegidas pela nossa fé hora titulada em crença de “demônios” que fazem sua parte diariamente nos livrando dos “caretas”, e fazendo uma adaptação da composição de Caetano Veloso em sua música Purificar o Subaé: “Purificar a Baía, mandar os malditos embora, dona da água salgada quem é? Azul, rainha, senhora.” Odôiyá.

Por Mateus Mozart Dórea – Filósofo pelo Destino – Graduando em Direito pela Universidade Católica do Salvador.

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