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A Criminalização do Funk

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Falar em funk é motivo de muitos preconceitos. O que nos leva a pensar sobre esse preconceito é a seguinte pergunta: de onde originou-se tal julgamento de valor? A cultura de um povo, a sua identidade e forma de se expressar é uma das riquezas que nós brasileiros detemos e mostramos a diversos países que curiosamente vem até nós para apreciar e conhecer. A camada social e seu apartheid por classes faz com que esses preconceitos cresçam cada vez mais.

As comunidades verticais mais conhecidas como as “favelas”, crescem assustadoramente a cada dia. Ali, naquele lugar, em meio aquelas ruas e vielas, moram seres humanos que com a labuta e o suor do trabalho erguem a sua família e se orgulham por pertencer a uma comunidade. Comunidade essa seja ela qual for, mas que tem o seu nome e seu legado. São pais e mães de família, filhos, netos, bisnetos e descendentes que ali passam a morar. São pessoas que por conta desse apartheid – graças a Deus – conseguiram um lugar para repousar a cabeça e dormir.

O funk nasceu nessas comunidades. A música, a letra, a melodia nasceu nessas comunidades. É uma cultura de um povo que deve ser respeitado. Mas, a camada social que domina e “manda” faz de tudo para criminalizar uma cultura. No Rio de Janeiro e em São Paulo é mais notório vermos essas comunidades fazerem suas festas regadas pelo funk, pela expressão de si, pela necessidade de ter um entretenimento. Falar que o funk é crime é o mesmo que censurar quaisquer outras formas de expressão musical. É limitar, é estreitar, é fazer calar um povo e isso é preocupante.

Atualmente vivenciamos isso: a criminalização do funk. Djs sendo acusados por crimes inexistentes e vidas sendo ceifadas pelo Estado por meramente participar da sua forma de expressão cultural. É preciso combatermos esses preconceitos, essas formas de censuras do século XXI e mostrar o valor do povo do “gueto” que sim, tem muito a ensinar.

Em suma, a cultura é expressa de diversas formas. Se você não gosta, não curte, respeite! O nosso país é diversificado e com isso traz a oportunidade de a cada dia inovarmos. Precisamos de valorização e não criminalização. A atuação de uma pessoa não pode ser generalizada e criminalizar uma comunidade e sua forma de transpassar a musicalidade. Respeitar e valorizar. Dar segurança e fazer valer o que de bom as nossas comunidades têm. Isso sim, eu defendo! Que o Cristo Redentor possa abrir os braços e nos defender de todo e qualquer ataque cultural. Que o Cristo Redentor possa banir o Estado sanguinário. Que o Cristo Redentor nos dê e dê ao funk a redenção.

Por Mateus Mozart Dórea – Filósofo pelo Destino – Graduando em Direito pela Universidade Católica do Salvador.

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