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As Ganhadeiras de Itapuã

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O dia amanheceu ensolarado típico do verão que tanto gostamos aqui na Bahia e em especial, aqui em Salvador. O encontro era mais que especial: conhecer as Ganhadeiras de Itapuã. Mulheres que há mais de 15 anos traz para o Brasil e o mundo o samba de mar aberto, o samba raiz da terra soteropolitana e do bairro de Vinícius de Moraes e de Dorival Caymmi.

É fácil identificar elas de longe. Suas vestes são bem estampadas, saias rodadas – típicas de samba e colares feitos de búzios, contas e frutos do Pau-brasil. Cheguei, cumprimentei-as e agradeci por tê-las naquela manhã para explicar toda a história e legado que as mesmas têm para a nossa cultura. O encontro tem motivo mais que especial pois nesse ano as Ganhadeiras de Itapuã serão homenageadas pela escola de samba Viradouro do Rio de Janeiro.

Diante da Lagoa do Abaeté, nossa conversa começou, dona Mariinha – a presidenta das Ganhadeiras – começou a falar sobre a história das mesmas. Relatou como aquele lugar era mais bonito, a lagoa em si não é mais a mesma. Está secando e impressiona pois antigamente as águas eram mais volumosas e ajudava na pescaria e no ganho das mulheres que ali iam para lavar roupas. Aí nasce o nome: Ganhadeiras – aquelas que ganham um sustento por meio de um labor.

Como foi que iniciou esse movimento cultural aqui em Itapuã?

Iniciou porque aqui tinha muitas festas. Todo ano aqui era repleto de festas. Os anos foram passando e essas festas morrendo. Eram festejos de largo, a Lavagem, Maria Pastorinho – na época do natal, ternos de reis que saíam daqui e os que viam do centro para cá. Aí não víamos mais nada… Foi quando veio a ideia de nos juntarmos para conversar e dessa conversa nasceu as ganhadeiras. Fomos lembrando das músicas antigas e criando esse desejo de formar um grupo de roda de samba aqui de Itapuã.

Por quê ganhadeiras?

Ganhadeiras são mulheres de ganho. Lavávamos aqui no Abaeté e ganhávamos por ter lavado roupas, outras ganhavam vendendo acarajé, fazendo artesanatos etc. Víamos a semana toda aqui nessa lagoa para lavar. Depois, os governantes nos tiraram de lavar aqui no Abaeté e aí ficamos sem ganhar o nosso sustento. Tivemos que correr atrás de outros afazeres, foi muito complicado!

A senhora como presidenta das Ganhadeiras de Itapuã, tem quantos anos no grupo?

Desde o início. Tenho 16 anos aqui.

Hoje tem quantas ganhadeiras no grupo?

Não sei ao certo, mas tem muitas. Tem até crianças! Nossas netas participam e serão as que darão continuidade.

Você foram escolhidas para serem homenageadas na escola de samba Viradouro do Rio de Janeiro, qual a sensação de poder receber essa homenagem?

É uma alegria muito grande! Não imaginávamos uma homenagem tão nobre como essa. Já fomos nas Olimpíadas aqui no Brasil e para vários outros lugares, mas não imaginávamos ganhar esse presente nesse ano. Temos muita fé em Nossa Senhora e sabemos que foi ela que nos deu esse presente. Vamos sair daqui no dia 21 e no domingo, 23 será a nossa apresentação lá no Sambódromo da Marquês de Sapucaí. Estamos na torcida!

Quem compõe as músicas das Ganhadeiras?

Tem vários compositores, mas os mais atuantes são: Sr. Amadeu, Sr. Reginaldo etc. A maioria também já são músicas tradicionais, que já cantamos e que já fazem história no samba da nossa terra. Veio na lembrança, pegamos e cantamos (Risos).

Há uma diferença do samba do recôncavo para esse de vocês?

Sim, há. A forma de sambar e a música são os diferenciais. Aqui chamamos de samba de mar aberto, lá já é o samba mais ritmado etc.

Hoje se uma mulher quiser entrar para as Ganhadeiras como deve proceder?

Olha, por enquanto está difícil. Não estamos colocando porque já tem uma quantidade boa. Atualmente só estamos inserindo as crianças.

O que a senhora diz aos fãs, admiradores e aqueles que ainda não conhecem vocês?

Agradeço pela admiração e peço que Nossa Senhora sempre livre das coisas ruins e dê muita força para cada vez mais prosperar. Aos que não nos conhecem, nos escutem e verás que vai gostar cada vez mais.

Por Mateus Mozart Dórea – Filósofo pelo Destino – Graduando em Direito pela Universidade Católica do Salvador

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