Home Colunistas Entrevista – Base Comunitária do Bairro da Paz – 7 anos

Entrevista – Base Comunitária do Bairro da Paz – 7 anos

14 min read
Comentários desativados em Entrevista – Base Comunitária do Bairro da Paz – 7 anos
0
176

Por Mateus Mozart Dórea – Filósofo pelo Destino – Graduando em Direito pela Universidade Católica do Salvador

Era uma quinta-feira, dia 13 de setembro de 2012 quando o antigo Bairro das Malvinas – hoje Bairro da Paz – recebia a instalação da sua base comunitária de segurança. A comunidade foi presenteada com uma atuação do Estado mais presente, mais eficaz e mais acessível. No último dia 13 de setembro, na sexta-feira passada, a comunidade comemorou 7 anos de atuação dessa base frente aos belos serviços sociais e presença tão inclusiva para todo o bairro. O comandante da base, Tenente Aymar, com a autorização da Secretaria de Segurança Pública do Estado da Bahia, me recebeu para um bate papo agradável para que possamos conhecer um pouco mais do trabalho que está sendo realizado para a comunidade ao longo desse período. Confira abaixo:

Quando a base comunitária do Bairro da Paz foi instalada?

Ela foi instalada em 13 de setembro de 2012. O primeiro responsável foi o comandante Henrique e eu, comandante Aymar, estou desde março de 2018.

Como foi o processo de relacionamento da base com a comunidade?

Foi um processo construído ao longo desses anos. Primeiramente tem aquele impacto, aquela resistência fruto de um não entendimento dessa aproximação pois é algo novo, nossa Constituição é nova, de 1988 e a mesma garante ao invés da manutenção, a prevenção. Então, a nossa função como polícia é prevenir com um novo método de aproximação com a população. Estamos acostumados com a polícia repressiva, mas não podemos enxugar gelo, não devemos ser assim, devemos ser agentes de controle social. A aproximação com a comunidade é imprescindível e não apenas aproximar, melhorar a nossa imagem institucional. Existe uma lei que desde 2011 aqui na Bahia é executada, chamada de pacto pela vida que instituiu as bases comunitárias de segurança pública. Mas o policiamento social é de muito antes. Hoje temos como doutrina esse policiamento comunitário que é passado logo no curso de formação da Polícia Militar. A formação social e principalmente do indivíduo é um tripé social: família, Estado e sociedade. Então, trabalhamos nessas bases para que não haja falha. Muitas vezes os três nem falham, mas a pessoa vem a ingressar no mundo do crime, mesmo assim, devemos fazer a nossa parte. Atualmente estamos em outro nível aqui na comunidade. Já nos aproximamos e já estamos tornando a comunidade sensível. Podemos ver e notar que eles hoje sabem o que podem cobrar, então, muitos já batem a nossa porta cobrando algumas demandas e fazemos os encaminhamentos.

Com todo esse período de atuação da base comunitária, quais foram os projetos já realizados?

São vários. Inclusive são projetos que viraram programas pois se repetem todos os anos. Temos um objetivo a cada ano, um resultado esperado. Temos atualmente 15 projetos sociais entre eles: arte é vida (voltado à arte, reforço escolar), vida leve (voltado ao público da melhor idade), funcional (voltado à educação de atividades físicas), Xadrez para vencer (O ensino do jogo estratégico), Vidas em cena (O ensino do teatro), Futebol de base (Que acontece em um campo de uma parceira nossa), temos o Karatê do saber, Garota BCS, Garota Mirim, temos a Universidade para Todos, Prepara IFBA e o ProErd (com parceria escolar da comunidade). Temos uma parceria muito grande com as escolas e atualmente trabalhamos em parceria com a comunidade. Fazemos as abordagens, vamos até os comerciantes perguntamos como está o andamento da segurança, o que pode ser melhorado, preenchemos formulários de visita etc. Muitos empreendimentos aqui ao nosso redor também nos ajuda, faz valer ainda mais a nossa atuação.

Quem está nas redes sociais pode acompanhar esses trabalhos sociais de vocês. Em quais redes sociais vocês estão e como acompanhar?

Nós temos Facebook, Instagram (@bcsbairrodapaz) e Whatsapp. Temos um número fixo de acesso à todos. Temos um sistema diferente dos demais quartéis. Aqui a comunidade tem acesso ao nosso quartel ao contrário dos demais que não conseguirão atender a demanda social. Aqui 24h as portas da base comunitária ficam abertas, temos formulários específicos de atendimento aonde zelamos pela justiça restaurativa para desafogar o judiciário.

É verdade que a base tem uma comunicação via Whatsapp com os moradores?

Sim, temos vários grupos de interação aonde mantemos esse contato direto com a comunidade. A partir do momento que viro amigo das pessoas, vou aproximar mais e vou exigir mais, também tem as críticas. É algo bacana pois nos aproximamos e vamos caminhando acertando com os comentários de todos. Isso é bom pois nos faz evoluir!

Quais os desafios e dificuldade que a base comunitária tem atualmente?

Basicamente a grande dificuldade é a de infraestrutura. Não temos outro local para ser sede da base comunitária e então ficamos preso a essa estrutura e essa estrutura sendo locada, tem alguns impasses. Fora que as verbas não proporcionam mais equipamentos e materiais que poderíamos oferecer à comunidade como Ar-condicionado nas salas, mas fora isso, estamos fazendo um trabalho muito bonito e chegamos a um nível de esforço maior.

Como é vista a satisfação social frente a esse belo trabalho que vocês realizam aqui?

A resposta sempre é positiva. Particularmente não vejo reclamações porque o bairro é pequeno e criminalidade sempre há, mas trabalhamos para combater isso. Nossos índices de homicídio reduziram muito e quem é morador do bairro sabe que aqui antigamente conhecida antiga malvinas, morriam muitas pessoas e com a chegada da base, a aproximação do Estado pois a base representa o Estado, representa a segurança o surgimento de auxílios sociais de modo geral.

Qual a sensação de estar a frente e responsável por essa base?

É uma sensação de responsabilidade muito grande. Tenho que fazer com amor mesmo os meios sendo poucos e não é um retorno a mais financeiro, é um desafio profissional de amor ao próximo, é um lado humano, social, é gratificante que ao menos uma vida, uma pessoa seja transformada. Fico orgulhoso em ver os resultados como jovens que passaram por aqui e hoje estão empregados, seguindo a carreira que tanto almejam e foi por intermédio de oportunidades. É uma realização não somente pessoal, mas sim, uma realização ampla. Tem, por exemplo, policiais hoje que fizeram preparatório em base comunitária. São fatos e testemunhos que nos alegra e nos emociona.

Dando uma resposta ao bairro sobre a atuação de vocês, o que o senhor diria?

O que eu digo e repito é: quem não conhece, venha conhecer. Salvador é extensa, mas muitas vezes moramos no bairro e não sabemos as riquezas do mesmo. O bairro da paz é rico, tem pessoas com grandes potenciais. Se una a gente, vamos unir forças porque eu sou policial, mas sou cidadão e minha convocação é fora de ser policial, vamos unir as forças para fazer o bem.

Para o Tenente Aymar família é? É tudo

A base comunitária é sinônimo de? Amor

Amigos são? Essenciais para a vida

Bairro da paz não é Bairro da Paz sem? Sem a base comunitária

Um frase: “Tudo que vier às suas mãos faça com todas as suas forças e todo amor.”

Carregar Mais Artigos Relacionados
Carregar Mais Por Mateus Mozart Dórea
Carregar mais em Colunistas
Comentários fechado.

Vejam também

A Baía de Todos os Santos e seu Axé

A Bahia acordou na semana passada com a notícia que um suposto navio chegaria em suas terr…