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ENTREVISTA – NACCI – 25 ANOS

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Por Mateus Mozart Dórea – Filósofo pelo Destino – Graduando em Direito pela Universidade Católica do Salvador.

Falar em criança é falar em pureza, em sinceridade e amor. Foi com esse sentimento que nasceu aqui na nossa capital soteropolitana o NACCI: Núcleo de Apoio ao Combate do Câncer Infantil. É uma instituição sem fins lucrativos fundada em 27 de Outubro de 1994 tendo à frente senhor Clayton Costa. O mesmo me recebeu tendo em vista os 25 anos de atuação do NACCI na nossa querida São Salvador da Bahia. A história de fé, superação, esperança e gratidão foi contada por ele que me recebeu para conhecer de perto esse belíssimo trabalho que muitos ainda não conhecem e precisam conhecer, visitar e ajudar. Confira:

Sr. Clayton o que é o NACCI?

O NACCI é o Núcleo de Apoio ao Combate do Câncer Infantil, uma instituição que apoia e protege crianças e adolescentes portadoras de câncer durante o seu tratamento e até depois, diria melhor, pois eles ficam em revisão e nessa revisão toda vez que vem, continuamos acolhendo mesmo aqueles que chegaram há vinte e cinco anos atrás e hoje já são pais e mães. O NACCI começou há 25 anos, então, quem chegou aqui criança, hoje já é adulto e não abandonamos eles porque precisam também uma vez ao ano fazer essa revisão médica e após cinco anos de revisão é que considera-se curados.

Quando e por quê nasceu o NACCI?

Em outubro de mil novecentos e noventa e quatro pela necessidade de apoiar essas crianças e suas famílias que viam do interior do Estado para fazer o tratamento aqui no hospital Martagão Gesteira e não tinham aonde ficar, então, os médicos nos pediram ajuda, na época não tínhamos o imóvel e aí um empresário pagou durante dois anos o aluguel desse imóvel para podermos acolher essas crianças e seus familiares.

Os médicos então fizeram a parte deles em pedir a ajuda de vocês?

Sim, inclusive hoje temos algumas médicas que foram nossas parceiras desde o início da criação do NACCI e que até hoje são médicas desses pacientes e nos apoiam em todas as nossas ações.

Como é a estrutura do NACCI?

Nós temos alguns setores que dão todo esse apoio para o tratamento da criança. Então, nós temos uma presidência, uma diretoria, conselho fiscal, os colaboradores (psicólogos, pedagogos, nutricionistas, assistentes sociais, uma professora cedida pela prefeitura – temos uma escola regular aqui dentro – e agora, temos o gabinete odontológico, a fisioterapia e a brinquedoteca que ficam no bairro de Nazaré, os voluntários e os doadores que todos juntos fazem com que o NACCI se mantenha de pé.

Como é que as crianças chegam até o NACCI?

De duas maneiras: ou as secretarias de saúde dos municípios sabem da existência do NACCI e enviam ou através dos hospitais. As crianças muitas vezes vem do interior para fazer uma consulta e não sabem que terão que ficar semanas por aqui por não imaginar que o diagnóstico seja um câncer, então, precisa que a família fique aí o próprio hospital encaminha aqui para o NACCI.

Quais as dificuldades que o NACCI enfrenta atualmente?

Muitas. Porque manter uma instituição não é fácil. São contas e contas caras! Temos água, energia, combustível, alimentação, medicação, folha de pagamento daqueles profissionais que não podemos ter como voluntários pois precisam do seu sustento. O muito difícil para nós é essa parte financeira e a segunda dificuldade é a parte da alimentação perecível. O não perecível temos o apoio da comunidade baiana – só temos a agradecer – faculdades, escolas, grupos isolados, sempre fazem campanhas, agora, a carne, o peixe e o frango são muito mais difícil. Nós atendemos diariamente em torno de 45 a 50 pacientes e cada um com seu pai e sua mãe ainda temos os funcionários que fazem refeição aqui conosco, então, é uma dificuldade estarmos controlando essa alimentação que não venha a faltar.

Quantas crianças o NACCI atende atualmente?

Diariamente é entorno de 45 a 50 crianças. Nesses 25 anos que o NACCI comemorou no dia 24 de outubro, já passaram mais de mil crianças com várias situações – nesse momento da entrevista Sr. Clayton se emociona – alguns óbitos, mas também, muitos curados. Dia 25 do mês passado (outubro), nós fizemos aqui uma comemoração desses 25 anos de nossa existência e tivemos a grande alegria de receber uma surpresa: quase 15 pacientes curados vieram nos agraciar com suas presenças, mas temos muito mais que essa estatística de curados. Hoje são mais ou menos 40 pessoas curadas, formadas, pais e mães de família como, por exemplo, um que mora na cidade de Elísio Medrado e é vereador. Um vereador muito atuante com as causas sociais! Então, tivemos também muitas conquistas ao longo desse período. Quando nós presenciamos esse progresso principalmente do paciente, das famílias que chegam aqui muitas vezes com a roupa do corpo sem saber que vão ter que ficar aqui para cuidar do filho, quando a gente ver todo esse progresso, então percebo que Deus renova as nossas forças, nos abençoe e seguimos em frente.

O senhor já nos disse, mas gostaria frisar: quais as especialidades que são oferecidas às crianças e aos pais que por aqui passam?

Para as crianças temos a escola domiciliar Irmã Dulce que é a escola municipal em que assiste as crianças que por aqui passam em tratamento; temos os profissionais e temos o trabalho do voluntariado que atende às mães com oficinas de costura, bordado, cozinha, além das orientações que os pais recebem sobre a cura do câncer. Muita gente chega com medo de tocar nas pessoas pensando que o câncer é transmissível ou que vai matar na hora. Existia muito preconceito e aqui nós reunimos esses pais em um auditório que foi construído e mobiliado pelo governo japonês, para treinar e orientar sobre o que é o câncer. Agora queremos dar capacitação tanto para os pais como para aqueles que hoje já são jovens, já passaram por aqui, mas precisam ter uma profissão.

Qual o episódio no NACCI que o senhor jamais esquecerá? O marcado em sua vida.

São muitos, viu? São muitos. Mas, tem um. Um paciente que hoje já é um pai de família e teve a perna amputada e naquela ocasião de tratamento antes de amputar, necrosou a perna e os médicos tinham que acompanhar e tinha um curativo muito complicado. Ele dizia que não queria que ninguém fizesse o curativo dele, só eu. Mas eu dizia que não podia porque a minha pessoa não era médico nem enfermeiro e ele repetia: – Eu só deixo se for o senhor. Aí colocava um pano no rosto dele e dizíamos que se ele olhasse para perna, iria doer. Quando estava sem o pano, tocava na perna dele e a enfermeira colocava o pano nos olhos dele e fazia o curativo. Quando terminava eu colocava a mão novamente e falava: – Está vendo que eu fiz? Ele respondia: É, mas não doeu porque foi o senhor (Sr. Clayton se emociona). Esse episódio o NACCI tinha uns seis meses e foi o primeiro episódio marcante que nunca esqueci.

Ao fazer um apelo de ajuda a quem nos lê, o que o senhor diria?

Olha, diante de tanta violência e egoísmo, pratiquem a caridade. Façam o bem! Fazer o bem o retorno não só vem para aquelas pessoas que estão recebendo a caridade, mas sim, principalmente para nós que estamos praticando o bem. Com isso, evoluímos, passamos por cima das dores e temos a certeza que fazer o bem é a melhor coisa do mundo. Edifica! Se tivermos tempo para praticar o amor, não teremos tempo para o ódio e tantas guerras.

Para Clayton, família é? União

O NACCI é sinônimo de? Caridade e de Valorização Humana

As crianças são? O futuro e o amor ao próximo. Elas nos ama acima de tudo, então, devemos amá-las. O amor dela passa por cima de tudo. Criança é amor!

O NACCI não é o Nacci sem? Sem a caridade, sem o amor, sem o voluntariado, sem as equipes que nos ajudam, mas principalmente se não era NACCI se não houvesse a caridade.

Uma frase: “Pratique o bem. Pratique o amor. Não seja egoísta. O amor supera tudo!”

AJUDE O NACCI:

Banco do Brasil
Agência 2798 -7
Conta Corrente: 6576-5

Banco Bradesco
Agência 3021
Conta Corrente: 190.464.7

Caixa Econômica Federal
Agência: 1509
Conta Corrente: 121/4
Operação: 03

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