Home Itapagipe Cultura Itapagipe Feira de São Joaquim vira principal reduto de samba de Salvador aos domingos

Feira de São Joaquim vira principal reduto de samba de Salvador aos domingos

5 min read
Comentários desativados em Feira de São Joaquim vira principal reduto de samba de Salvador aos domingos
0
460

Não importa se chove ou faz sol. No palco improvisado na Feira de São Joaquim, o reco-reco, o tamborim e cavaquinho começam a soar ao meio-dia. Do alto, o que se vê é uma maioria feminina e negra. “Essas meninas aqui da frente estão sambando muito”, diz Pablo, vocalista do grupo Chamou Porque Quis, às mulheres que, no chão, organizam uma roda de samba. Aos domingos, a maior feira livre de Salvador tem sido também o maior reduto de samba da cidade.

Das 12h às 18h, pelo menos três mil pessoas sambam no píer da ala nova da Feira, onde acontece, desde 2017, o chamado Samba da Feira. “São sete mulheres a cada três homens que a gente vê. É uma negrada muito linda, muito linda mesmo”, estima o organizador do evento, comerciante Nilton Ávila, o Gago.

As mulheres chegam sozinhas ou acompanhadas, vestidas como bem entendem – algumas, por exemplo, fazem de sutiãs rendados blusas – e com cabelos naturais soltos ou trançados.

De macacão listrado, sutiã preto à mostra e unhas postiças rosa, a dançarina Luci Estrella, 32 anos, despreza os assobios e comentários enquanto circula pela feira. Dois senhores, sentados num bar, cutucam um ao outro e torcem o pescoço para vê-la passar. O tamanho da roupa, do corpo, ou a idade são desimportantes, ela acredita.

“A descendência nos faz sentir viva, nos inspira. Sou eu quem digo o que eu visto, o que eu faço”, diz, sobre o significado do samba na sua vida.

O ritmo parece ser, para elas, uma forma de rememorar a origem em comum.

Donas da festa
No século 20, foi justamente uma mulher negra, a santo-amarense Tia Ciata, quem formou ao seu redor, no Rio de Janeiro, um grupo que definiria o que hoje é chamado samba de partido alto – uma das vertentes que, junto ao samba de roda, é tocado ali. “O samba é uma forma de ressocialização, de rememorar. Nada é somente entretenimento”, explica o antropólogo Milton Moura.

Os negros escravizados trouxeram manifestações musicais, sobretudo legados da musicalidade do Candomblé, que resultariam, misturados os batuques, nas diferentes formas de samba.
Por isso, as mulheres chegam como donas da festa, embora no palco ainda não se vejam representadas. Três bandas costumam se apresentar aos domingos e todas elas têm em comum integrantes homens. “No samba, a gente chega se achando mesmo”, define Jailma Bacelar Santana, 31, de top rendado e short de bolinhas brancas. Faltavam apenas os últimos ajustes para a segunda banda do dia, a Nosso Ritmo, começar o show e o píer estava completamente lotado. Na frente do palco, as mulheres revezavam, incessantemente, rebolados no centro de uma roda de samba.

Nascida em Entre Rios, Josiane de Jesus Pinho, 36, chegou em Salvador ainda criança para trabalhar como babá. Desde 2015, é cozinheira de quentinhas que abastecem os bairros de Narandiba, Marback e Saboeiro. Ali, no samba, é hora de extravasar. No dia 12 de janeiro, o CORREIO visitou o samba e perguntou a Josiane, depois de ouvir sua história, se podia fotografá-la. “Vixe, que mulher linda é essa?”, respondeu à repórter, depois de ver a foto.

Carregar Mais Artigos Relacionados
Carregar Mais Por Pedro Silveira Leite
Carregar mais em Cultura Itapagipe
Comentários fechado.

Vejam também

Suspeito de vender drogas no Carnaval morre em ação policial na Barra

Um homem suspeito de traficar drogas durante o Carnaval morreu na madrugada deste sábado, …