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Festa de Santa Bárbara reúne religiosos em Salvador

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As comemorações em homenagem a Santa Bárbara movimentam a cidade nesta quarta-feira, 4, abrindo o calendário de festas em Salvador, com missa, carurus e vasta programação cultural. A santa, que no sincretismo religioso é cultuada como Iansã, orixá dos raios e tempestades, é venerada há mais de 300 anos e se tornou padroeira do Corpo de Bombeiros, dos mercados e guia de milhares de baianos.

Prova dessa devoção se encontra na rua do Futuro do Tororó, no bairro homônimo, onde centenas de pessoas, moradoras da região e vindas de várias partes do estado, se reúnem há 35 anos em procissão, celebração de missa e caruru servido a céu aberto. Organizadora do banquete, a comerciante Luz Marina Andrade dos Santos, 59 anos, diz que a festa começou pequena.

“Prometi a Santa Bárbara que se eu não precisasse mais trabalhar para os outros, eu daria um caruru. Então, no salão que eu tinha aqui do lado de casa, fiz o primeiro caruru para sete mulheres, mas já no ano seguinte precisamos sair do salão e estender a comemoração até o passeio”, explicou dona Luz Marina.

A comerciante ainda contou que logo nos anos seguintes, a celebração tornou-se uma festa de largo. “Hoje eu sirvo pelo menos mil pratos, temos uma bandinha de música que acompanha a procissão tocando hinos religiosos, saindo do largo do Tororó com o andor da santa até a porta de nossa casa, onde o altar está preparado e aí o padre faz a celebração da missa e, às 18 horas, começamos a servir o caruru”, disse.

Na rua do Futuro o que se vê com a festa de Santa Bárbara é uma celebração da tradição e da cultura ancestrais que mistura elementos do catolicismo e do candomblé. “O caruru, que no terreiro é chamado de amalá, foi se incorporando à outras iguarias e tomando sentido cultural mais que ritual, uma vez que a diversidade das comidas representa orixás diferentes. Nisso, vemos o sincretismo, pois a comida oferecida aos orixás se torna referência aos santos católicos”, apontou o historiador Jaime Nascimento.

Graças

Não apenas os moradores da rua do Futuro se reúnem na celebração e preparação da rua e da festa. Vinda de Serrinha, município a cerca de 175 km de Salvador, a aposentada Tereza Cristina Andrade, 51 anos, diz que a tradição é o motivo pelo qual enfrenta horas de estrada para comemorar com família e amigos o dia 4 de dezembro.

“Todos os anos eu saio de Serrinha até aqui para ajudar a cortar o quiabo, servir a multidão e acompanhar as orações. Essa é a forma de agradecer pelas graças que Santa Bárbara me deu”, contou a aposentada.

Dona Lucília Santiago, moradora do bairro Cajazeiras, também se junta a outras voluntárias na preparação do cararu e no enfeite da rua com bandeirolas. “Santa Bárbara sempre me ajudou em minhas aflições. Hoje vou ajudar a cortar o quiabo e amanhã estarei aqui com um tabuleiro jogando pipoca para todo mundo ver”, afirmou.

Para a comerciante Luz Marina, que desde ontem à tarde portava turbante e vestido vermelhos em honra a Santa Bárbara, a festa é um motivo a mais de reunir pessoas queridas e viver a diversidade cultural que a Bahia tem. Segundo ela, Santa Bárbara ou Iansã “são apenas nomes diferentes dados a uma mesma pessoa”.

“Na Bahia tudo tem dois nomes. Veja, por exemplo que você tem A J. J, Seabra, que também é Baixa dos Sapateiros. Portanto, Santa Bárbara do catolicismo ou a Iansã do candomblé não tem problema. O importante é ver os amigos e a família reunidos, o pessoal vindo de vários lugares da cidade e do interior. Hoje e amanhã é só felicidade”, concluiu.

*Sob supervisão da jornalista Regina Bochicchio

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