Home Colunistas Marcelo e a Noite que Não Terá Fim

Marcelo e a Noite que Não Terá Fim

5 min read
Comentários desativados em Marcelo e a Noite que Não Terá Fim
0
152

Não é de agora que venho falando dos dias obscuros em que vivemos. Dias esses oriundos de vários aspectos: dos discursos de ódio, da política, do falso moralismo e entre outros fatores que só fazem retroagirmos no tempo. Vivemos em pleno século XXI aonde uma sociedade totalmente diferente tem protagonismo tão eficaz em várias mudanças. São gerações que mostram e dizem que, a ignorância não tem mais lugar. Que o preconceito não pode ser aceito. Que o machismo não tem mais vez e nem espaço no nosso meio. Vivemos a geração da resistência e da luz. Sim, luz essa para poder iluminar a todos e mostrar que sim, somos iguais não só em leis, mas em corpo, em matéria, em tudo. Somos iguais e precisamos nos respeitar e respeitar a forma de ser do outro.

Camaçari, 20 de outubro de 2019. Era um domingo a noite que deveria ser normal como de praxe, mas assim não foi. O ódio e o preconceito falou mais alto naquela noite. Marcelo viveu uma noite infindável, infinita e por quê não perpétua em sua vida? Viu de perto a sua vida por um fio quase se dissipar por uma atitude de pessoas que não sabem amar. Foram quatro tiros covardemente disparados no corpo desse jovem que por demonstrar afeto, foi ferido. Por mostrar e demonstrar amor, foi à guerra e venceu. Os tiros o atingiu em várias partes. A homofobia ainda é um caso sério no nosso país. Desde o dia do ocorrido várias foram as correntes de apoio e de orações para que Marcelo pudesse voltar dessa guerra e mostrar com mais bravura a resistência que temos que possuir contra toda forma de ódio para seja qual for a forma de amor.

Nessa nova geração é preciso repudiar tal barbárie nos dias obscuros vindos de ignorantes e de pessoas que não foram preparadas a estarem entre o amor e o afeto. É preciso dar um basta a toda e qualquer forma de preconceito principalmente ao tocante da sexualidade. Os tiros que atingiram Marcelo, me atinge e atinge muitas outras pessoas. A nossa sociedade evolui e se os que nela estão não evoluem, se tornam animais irracionais, aliás, chamar de animais é até um elogio. São, portanto, seres anômalos dignos de pena.

Em suma, é preciso a atuação eficaz não só das leis de punição social, mas da nossa atuação. Precisamos repassar aos que estão entre nós que a palavra RESPEITO deve ser colocada em prática. Que a palavra PRECONCEITO deve ser extinta das nossas relações e a palavra AMOR sobressaia perante todos. Não existe mais espaço para a violência emanada do subjetivo por não conseguir conviver em harmonia. A nossa missão – como a nova geração – é essa: “Aonde houver ódio, levarmos o amor.” Faça-se justiça para Marcelo!

Por Mateus Mozart Dórea – Filósofo pelo Destino – Graduando em Direito pela Universidade Católica do Salvador.

Carregar Mais Artigos Relacionados
Carregar Mais Por Mateus Mozart Dórea
Carregar mais em Colunistas
Comentários fechado.

Vejam também

A Baía de Todos os Santos e seu Axé

A Bahia acordou na semana passada com a notícia que um suposto navio chegaria em suas terr…