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Sem isolamento, cenário no Subúrbio Ferroviário é preocupante

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A partir dessa quinta-feira (28), Periperi vai se juntar a uma lista que contém outros dois bairros do Subúrbio Ferroviário de Salvador: Plataforma e Lobato. Ambos têm em comum a aplicação de medidas de isolamento mais restritivas para conter a disseminação da covid-19, doença causada pelo novo coronavírus, em Salvador.

Com a entrada de Periperi na lista, quase um quinto dos bairros do Subúrbio estão com uma atuação mais efetiva da prefeitura nessa pandemia. Essa realidade é um reflexo da preocupação municipal com o avanço da doença nessa região de Salvador.

No total, nos 16 bairros do Subúrbio, 475 casos de coronavírus foram registrados, sendo 400 só no mês de maio e 197 nos últimos sete dias. Esses dados foram contabilizados até a segunda-feira (25) e foram obtidos pelo CORREIO através do comitê municipal que define quais bairros passarão pelas medidas mais restritivas. Confira a demonstração detalhada do Subúrbio por bairros:

Uma análise desses números também foi feita pelo prefeito ACM Neto. “Desde que iniciamos as ações de setorização, identificamos as localidades com maior incidência da doença. Os números do subúrbio têm nos preocupado. Por isso, adotamos medidas regionalizadas e ações de proteção à vida. Além desse fator, há um visível relaxamento do isolamento social”, disse.

Além dos três bairros do subúrbio, as medidas de isolamento mais restritivas estão válidas em Brotas, Cosme de Farias, Liberdade, Massaranduba e Uruguai. Outros bairros já passaram por essas medidas, mas tiveram o isolamento afrouxado por terem conseguido diminuir a taxa de transmissão da doença, segundo os dados da prefeitura, como é o caso do Centro, Pituba, Boca do Rio e Bonfim.

No Subúrbio, dos três bairros mais preocupantes, nenhum conseguiu ter redução das medidas de isolamento. Plataforma, por exemplo, está na mira da prefeitura desde o começo das ações de setorização, no dia 11 de maio. Esta quinta-feira completa 18 dias de presença mais efetiva do executivo municipal no bairro.

Do total de casos de covid-19 registrados em Salvador, cerca de 18% estão na região do subúrbio. Segundo o censo demográfico realizado em 2010 pelo IBGE, a população da região é de 335 mil habitantes, o que equivale a 13% dos moradores de Salvador.

Baixo isolamento 
“Tenho visto um movimento grande nas ruas dessa região, mesmo sendo uma semana chave, preparada para as pessoas ficarem em casa. Temos que ter a consciência de que, ou a gente aumenta o isolamento e reduz a taxa de transmissão ou seremos obrigados a viver com essas medidas de restrição”, completou Neto.

Essa observação do prefeito é confirmada por moradores do subúrbio. A estudante de jornalismo Alice Santana, 30 anos, tem participado das aulas pela internet, em sua casa de Paripe, nesse período. Mas quando ela precisa ir ao mercado, percebe que no bairro “não existe isolamento. Tudo funciona normalmente”, disse.

“Na primeira semana da pandemia, até lojas grandes fecharam. Depois, a partir do final de abril, parece que as pessoas esqueceram da necessidade de ficar em casa. Até lojas que ultrapassam 200 metros quadrados e que não são essenciais estão abertas, como lojas de calçados, por exemplo”, completou Alice.

Já Denise Araújo, 29, que mora sozinha com a mãe, percebe que o pessoal da sua rua tem saído muito de casa. “O pessoal vai para a rua conversar ou beber cerveja, como se não tivesse pandemia. Eu fico mais em casa, pois minha mãe é idosa, mas vejo essa realidade em Fazenda Coutos”, argumentou.

O estudante Daniel Brito, 22, morador de Pirajá, também tem percebido uma falta de prudência das pessoas do bairro. “Nesse São João antecipado, as pessoas estavam nas ruas, soltando fogos e comemorando. Aparentemente, a vida aqui segue normal e não parece que temos vírus”, disse.

Segundo os dados divulgados pela prefeitura, Paripe possui 43 casos de coronavírus, 20 só na última semana, e nove óbitos. Já Fazenda Coutos tem 33 casos, 16 nos últimos sete dias, e oito óbitos. Por fim, Pirajá está com 48 casos, 23 na última semana, mas, felizmente, com nenhum óbito.

Esses três bairros, como todos os outros do Subúrbio, estão na mira da Prefeitura. Neto destaca, no entanto, que não é só essa região que tem problemas: “Estamos observando também outras áreas populares que tem crescimento de novos casos de coronavírus, como São Marcos, Pernambués e Cajazeira XI”.

Periperi 
Com 55 casos registrados no mês de maio, somente 26 nos últimos sete dias, o bairro de Periperi tem preocupado as autoridades municipais. “Eu fiz questão de vir a Periperi, pois soube que teve movimentação aqui nessa semana, com direito a guerra de espada. Daí a necessidade de já irmos atuando no bairro, trazendo uma mensagem a cada morador de conscientização para ficar em casa”, disse o prefeito.

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