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Servidor relata pressão pela Covaxin e mostra mensagens à CPI

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Em depoimento à CPI da Covid no Senado nesta sexta-feira, 25, o servidor Luís Ricardo Miranda, do Ministério da Saúde, exibiu mensagens para sustentar o relato das pressões sofridas durante o processo de negociação pela vacina indiana Covaxin.

Irmão do deputado federal Luis Miranda (DEM) e ex-chefe de Importação do Departamento de Logística em Saúde da pasta, o servidor afirmou que recebeu mensagens, ligações e chamadas de superiores na pasta para saber do andamento do contrato, inclusive fora do horário de expediente e aos finais de semana.

O contrato, para a aquisição de 20 milhões de doses do imunizante no valor de R$ 1,6 bilhão, é investigado pelo Ministério Público Federal (MPF). O governo não chegou a efetivar o pagamento e nenhuma das doses acertadas foi entregue até agora.

Este foi o único contrato do governo para a aquisição de vacinas contra a Covid-19 que teve um intermediário: o sócio da Precisa Medicamentos, Francisco Maximiano.

Entre os indícios de supostas irregularidades, está o preço de cada dose (R$ 80,70), quatro vezes o valor de cada dose do imunizante de Oxford/AstraZeneca. Além disso, chama a atenção o tempo levado para assinar o contrato (97 dias) – período bem menor do que levou a negociação com a Pfizer (330 dias).

O deputado Luis Miranda declarou que seu irmão entregou dois “dossiês” com suspeitas ao ministro Onyx Lorenzoni. Além disso, reiterou conversa que teve com o presidente Jair Bolsonaro. Segundo o parlamentar, o chefe do Palácio do Planalto informou que repassaria as denúncias à Polícia Federal para uma investigação.

O deputado acrescentou ainda que conversou sobre o assunto com seu colega Eduardo Bolsonaro, filho do presidete, e com o general Eduardo Pazuello, quando este ainda comandava o Ministério da Saúde. Pazuello teria dito que deixaria o posto em breve, de acordo com Miranda.

O deputado exibiu ainda prints de conversas com um assessor do presidente, nas quais pediu para conversar novamente com Bolsonaro. Nesta ocasião, não houve resposta.

A sessão acontece em clima tenso, com embates entre membros da cúpula da CPI e senadores governistas. Ex-aliado do governo, o deputado chegou para o depoimento com um colete à prova de balas.

Logo no começo do depoimento, o senador Fernando Bezerra (MDB-PE), líder do governo, interrompeu várias vezes a fala de Luis Ricardo, quando o servidor apresentava uma linha cronológica do contrato firmado entre o ministério e a Precisa. “Tentativa inútil. A tentativa é inútil”, disse Bezerra.

Presidente da CPI, o senador Omar Aziz (PSD-AM), interveio: “Vossa excelência está insinuando que as testemunhas estão mentindo aqui?”.

O deputado Luis Miranda chegou a ameaçar deixar a sessão. “Não precisava falar a verdade, nem meu irmão. Se for o caso, levantamos e vamos embora, e os senhores continuem defendendo o errado. Nós queremos ajudar”, declarou.

Antes das perguntas, os irmãos Miranda fizeram considerações iniciais. Em sua fala, o servidor do ministério destacou que é concursado e disse que não é filiado a nenhuma legenda: “Meu partido é o SUS”, afirmou.

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