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TRABALHADOR, VOCÊ TEM O QUE COMEMORAR?

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1º de Maio de 1886, Chicago amanhece com as ruas repletas de manifestações e uma greve que iria se estender por todo o país oriundas dos trabalhadores que reivindicavam a redução da carga horária de trabalho. Na época, os trabalhadores exerciam 13 horas de trabalho por dia, originando assim o grito pelo direito de terem pelo menos 8 horas diárias de labor. Todo esse processo se findou com a morte de inúmeras pessoas envolvidas e com dezenas de pessoas feridas, mas a maior ferida já estava aberta e sangrava: a supressão dos direitos daqueles trabalhadores frente a dignidade humana.

A sociedade brasileira pára nesse dia em um feriado que, para muitos, não tem muita importância. A maioria das pessoas não sabem o significado do dia histórico em que um feriado foi instaurado. É uma pena! A história mundial, nacional e até mesmo territorial vem cada vez mais se perdendo; a tradição por sua vez é ameaçada por uma tecnologia que em tudo substitui e muitas vezes não preserva o antepassado. É preocupante, meus amigos. O motivo do feriado é comemorar as conquistas que os trabalhadores de Chicago obtiveram para todos – mundialmente falando.

Nós brasileiros será que temos algo a comemorar no dia de hoje? Um país que recentemente aprovou uma reforma trabalhista que em um ano nada de novo – como era a expectativa dos legisladores – trouxe e só vemos o desemprego e a falta da garantia de direitos de homens e mulheres aumentarem cada vez mais. Será que o empregado se sente a vontade, equilibrado e confiante em sempre negociar com seu empregador? Essa era a ideologia primaz da reforma trabalhista. Em um mundo neoliberal, do capitalismo reinante, onde e como um trabalhador terá essa autonomia de negociar com o empresário? Muitas vezes, a coerção de que lá fora milhares estão a porta e batem pedindo emprego, faz com que toda essa falácia de negociação caia por terra.

De acordo com dados do IBGE, atualmente totalizamos mais de 13 milhões de desempregados. Pessoas que diariamente estão em busca de um labor para sustentar-se, colocar o “pão” na mesa e ter, pelo menos, a dignidade de viver e dar o sustento para a sua família. Mais um episódio está surgindo: a reforma previdenciária. Reforma essa que pretende trazer um impacto de 1 trilhão em 10 anos por intermédio dos trabalhadores. Será que temos o que comemorar?

Em suma, querido leitor, a conclusão é que não temos o que comemorar. Temos o único meio que é não se calar com qualquer barbárie que venha a tirar nossos direitos. É utilizarmos nesse dia o que em Chicago, aqueles trabalhadores utilizaram: a voz, as manifestações e o grito de que a união faz a força. A você trabalhador, meu desejo de felicitações por ajudar o nosso país a se desenvolver cada dia mais, mesmo em tempos tão sombrios em que a democracia é ameaçada e as ditas “reformas” se concluem em meras formas de marionetes para a manipulação que tanto a elite e a dita “classe média” brasileira pretendem ter.

Por Mateus Mozart Dórea – Filósofo pelo Destino – Graduando em Direito pela Universidade Católica do Salvador.

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